Em 2021, o Banco Central lançou o open finance brasileiro com grandes expectativas. A ideia era simples: permitir que consumidores compartilhassem seus dados financeiros entre instituições, criando um mercado mais competitivo e produtos mais personalizados. Dois anos depois da implementação completa, o balanço é misto.
O que funcionou: a portabilidade de crédito ficou mais fácil. Consumidores com bom histórico de crédito em um banco passaram a conseguir melhores condições em outros. O número de fintechs que usam dados de open finance para oferecer produtos cresceu significativamente. A concorrência no mercado de crédito pessoal aumentou.
O que não funcionou como esperado
O que não funcionou: a adoção pelo consumidor comum foi muito menor do que o esperado. Pesquisas mostram que apenas 18% dos brasileiros com conta bancária já compartilharam dados via open finance. A maioria não sabe o que é, não entende os benefícios ou não confia no processo.
Há também o problema da assimetria de poder. Os grandes bancos, que têm os dados mais valiosos, têm menos incentivo para facilitar o compartilhamento. As fintechs, que mais se beneficiariam do acesso a dados, têm menos poder de negociação. O regulador tenta equilibrar essa equação, mas é uma batalha constante.
O que vem pela frente
A próxima fase é o open data — expansão do conceito para além do setor financeiro, incluindo dados de saúde, telecomunicações e varejo. Se o open finance já é complexo, o open data é uma ordem de magnitude mais difícil. Mas o potencial de transformação é também muito maior.